Não dispomos aqui de espaço suficiente para tratar em profundidade o tema da energia psicofísica, conhecida em japonês como ki.
Contudo é necessário que todos os tratados sobre artes marciais dediquem a ele algumas palavras, especialmente, se são dirigidas ao público ocidental.
Torna-se estranho que nossa cultura seja uma das poucas que, ao longo da história, não tenha tido uma palavra de uso comum, nem um conceito, que corresponda ao termo ki.
Pode afirmar-se que isto se deve a importância dispensada a ciência que dispõe de conceitos muito mais precisos do que estas idéias vagas e vitalistas.
Se, todavia, isto estivesse correto, a ciência deveria conhecer estes campos nos quais o ki está presente e, deveria poder aborda-los de forma eficaz.
Entre aqueles campos, incluem-se a vitalidade básica, a saúde mental e emocional, a intuição, a relação corpo-mente, os poderes paranormais e as extraordinárias habilidades que, como já tivemos oportunidade de expor anteriormente, podem chegar a possui os mestres do ki.
Evidente que a ciência carece que por inteiro de autoridade nesta aérea e em outras analógicas ou semelhantes.
Os campos eletromagnéticos e eletro-estáticos e as vibrações dos micro-movimentos variam segundo o estado da energia do sujeito, não existindo razoes para supor que esta áurea seja o ki.
A palavra que as diferentes cultuaras utilizam para designar o ki costuma ter relação com a respiração e com o espírito, vinculado assim o material com o imaterial.
De fato, a palavra latina "spritus" também significa alento, sendo esta uma justaposição que ainda hoje está presente em palavras cotidianas como "inspirar" e "expirar", ambas com duplo significado.
Em grego, a palavra é pneuma; em sânscrito, prana; em chinês, chi; em polinésio, mana; em hebraico, ruach; em bosquimane, n/um(o sinal "/"representa uma espécie de assobio).
Este conceito desenvolveu-se no Ocidente.
O fluido magnético de Anton Mesmer, a força odica e a energia orgânica abortam o tema do ki.
O ki é uma energia estritamente vinculada à vida e à consciência. Pode afetar diretamente a energia física e a matéria.
De fato, a ação do ki associa-se com freqüência aos fenômenos elétricos e magnéticos, que parecem ser efeitos secundários, e não os princípios mais importantes.
Move-se como o fumo ou como a água; fluir é estruturado e coerente e, contudo, não tem limites e carece de formas.
Pode gerar-se e acumular-se em nosso corpo, permitindo-nos realizar qualquer tipo de ação e passar por qualquer tipo de experiência.
Seus efeitos podem traduzir-se em sensações corporais de calor e frio, leveza e peso, suavidade e aspereza, expansão e concentração, etc.
a nível emocional, corresponde-se com a libido freudiana.
Se uma pessoa tenta desenvolve-la de uma forma consciente, costuma experimentar no inicio uma sensação de calor, formigamento e peso nas mãos.
Tem-se a sensação das mãos estarem se movendo num campo magnético; se forem postas como se estivessem segurando uma bola e movidas ligeiramente, pode-se sentir este campo magnético que esta entre elas.
Não se pode falar literalmente de campo magnético no sentido em que os físicos utilizam o termo; mas ´o mesmo que mesmer denominou"magnetismo animal": este é o campo do ki.
Se continua a pratica, pode-se sentir o ki nos baços, nas pernas e ao longo de todo o corpo.
Também podemos senti-lo ao redor do corpo, entre nós e as demais pessoas ou coisas que se encontra a certa distancia.
O ki torna-se um novo modo de perceber e de atuar ou, melhor dito, numa redescoberta consciente do modo básico original.
Uma pessoa pode sentir seu próprio fluxo de ki e pode dirigi-lo conscientemente para dentro ou para fora do corpo.
Este ki normalmente afeta o fluxo de ki que se encontra dentro ou em torno de outras pessoas ou coisas; quando atinge um nível muito alto de desenvolvimento, pode influenciar enormemente os estados mentais e os movimentos físicos de quem se encontra distante, permitindo que tenha lugar a psicocinese e a hipnose telepática.
Para desenvolver o ki, deve estabelecer-se um vinculo consciente entre o movimento físico, a respiração e a concentração.
Muitos dos exercícios utilizados para desenvolver o ki propõem que o corpo (adotando uma postura correta) mova-se de forma fluida e descontraída, harmonize-se com os movimentos naturais da estrutura muscular é óssea com o fluxo do ki (que na realidade são quase idêntico, pois o fluxo do ki foi o padrão da fixação da estrutura física do corpo).
Deixa-se que ritmo da respiração vincule-se com o movimento e faz-se com que a mente entre em ação, permitindo imaginar que o alento é o fluxo do ki (pode ser visualizado como um fluido dourado) que penetra em todas as partes do corpo envolvidas no movimento e as trespassa.
A mente concentra-se, mas sem tensões, permanecendo completamente aberta a todo o campo de ação.
Obviamente, tais exercícios podem ser realizados com a ajuda de um instrutor.
Depois de se ter conseguido desenvolver, o ki pode ser armazenado, em geral no hara, isto é, na zona baixa do abdômen e na pélvis; e pode ser dirigido à vontade para a realização de qualquer ato.muitos métodos de cura dirigem o ki à zona afetada pela doença, a fim de catalisa os processos do próprio corpo e restabelecer seu bom funcionamento.
O pintor dirige o ki ao movimento do pincel; o guerreio, ao da espada.
O ki tem analogias com a eletricidade: esta pode apresentar-se em duas forma, alta e baixa voltagem.
Através dos cabos de alta voltagem correntes baixa, a energia pode se deslocar-se ao longo de quilômetros e quilômetros, com pouca perda; em baixa voltagem e corrente alta, a energia nas casas pode incandescer uma residência da mesma forma, o ki apresenta-se em diferentes "voltagem" e "correntes". O ki de baixa voltagem e alta corrente produz algums efeitos físicos muito mais intensos e práticos; o de "alta" voltagem e baixa corrente.
É muito mais etéreo e associasse ao espírito puro e as experiências transcendentes.
Assim, não só se deve acumular o ki como também se deve refina-lo, fazendo com que aumente sua voltagem estabelecendo conexões com outros níveis de consciência mais amplos e mais penetrantes.