Pretendo em seguida, comentar brevemente outro tema que põem em evidencia a importância do corpo nos assunto espirituais.
Freud disse: "o ego é um ego corporal".
A natureza do ego e o sentido que normalmente tem a palavra "eu" estão estreitamente ligados ao corpo físico. A própria morte equivale à perda do corpo.
Os que não temem a morte, porque acreditam na reencarnação ou na oura vida, consolam-se pensando que no futuro assumirão um novo corpo ou, pelo menos, continuarão a existindo com um"corpo" mais sutil.
O conceito de nossa identidade e, em termos mais profundos, o conceito de nossa identidade e, em termos mais profundos, o conceito de nossa própria existência, baseia-se em nossas sensações corporais e na imagem que temos de nosso corpo.
Anteriormente, falamos da relação existente entre as partes do corpo e as "partes" da psique; mas a sensação de ser um ego independente do mundo circundante baseia-se em nossa experiência corporal normal.
Em geral, temos a sensação de que nossos corpos estão separados do meio, de que acabam na superfície da pele; da mesma forma, sentimos que o mundo esta fora e que não e nosso, que esta ligado a nos apenas de uma forma indireta.
Esta é a característica fundamental da maioria dos homens, esta separação que talvez seja a raiz do sofrimento.
Tanto a ciência, como o místico coincide em referir que esta forma de experimentar as coisas não é verdadeira e absoluta, mas sim relativa, arbitrária e ilusória.
A física moderna afirma que na realidade somos compostos de espaço vazio e curvado e que não existe uma separação radical entre o eu e o mundo; nosso espaço e o do mundo formam um continuum, como a água que desemboca na água.
A neurofisiologia apóia este ponto de vista, hoje sabe-se, por exemplo, que nosso sistema ocular não funciona como uma câmera fotográfica,isto é, não fotografa uma imagem mais ou menos exata de um mundo exterior independente.
Nossa experiência visual é, sim o resultado de uma complicada série de operações criativas que vão construindo em nossa consciência, segundo a segundo, uma imagem invariável que, para nos, e o mundo.
Todavia esta imagem é na realidade o resultado da atividade que desenvolvem os neurônios no interior do cérebro; a relação existe consciente é um obscuro mistério.
Torna-se evidente, de qualquer modo, que não vemos o mundo da forma que normalmente pensamos que o vemos.
Da mesma forma, as sensações corporais e a imagem do próprio corpo constroem-se no cérebro.
A imagem do corpo cria-se, provavelmente, no lóbulo parental direito do córtex do cerebral.
Assim, temos, exatamente a mesma relação com o mundo interior, como com o exterior.
A categoria de experiência espacial desenvolve-se também no cérebro, experimentamos as coisas como exteriores e interiores.
O espaço, o interior e o exterior não existem como fatos externos. São experiência que têm lugar no interior da consciência.
Isto, como é lógico, faz com que o nosso conceito normal das coisas mude completamente:
se o próprio espaço é criado pela própria mente, então onde está a mente?
Se o interior e o exterior produzem-se no interior do cérebro, então onde esta o cérebro? Apenas no interior de um crânio?
O mundo esta dentro ou fora do cérebro?
Todas esta questão parecem dissipar-se e perder sentinção que se estabelece normalmente entre o corpo e a mente, entre o eu o mundo, começa, a ser relativa e, em certos sentido, arbitrária.
A idéia e a sensação de que somos uma coisa e não somos , outra coisa e algo que nos mesmos criamos , geralmente influenciados pelos condicionalismos culturais e não tem valor absoluto e perante.
Conforme diz o professor Carlos Castaneda, nos fazemos o mundo e podemos deixar de fazer-lo e permitir que se dissolva e se torne de novo nesta inacessível realidade anterior ao eu e ao mundo.
Quando o ki se desenvolve e se espande, o sentimento de interior-exterior começa a alterar-se e a relação da pessoa com o mundo torna-se mais intima fronteiras torna-se mais permeáveis e a diferença existe entre o eu e seu oponente é cada vez menor.
Quando se atinge a iluminação, o mesquinho sentimento do eu se dissolve.
A pessoa dá-se conta de que a consciência não pertence a ninguém, pois ninguém existe.
A consciência não e é isto, mas eu;o eu universal que cria o espaço e o tempo e que a natureza de todas as coisas: consciência, existência, existência do amor