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Origens, considerações gerais e filosóficas.
A origem do Kiai remonta aos primeiros tempos da época em que o estudo das artes marciais ocupava um lugar importante no Japão, pelo século VII da era cristã.
Então, quaisquer que fossem as escolas- e eram muitas- a importância primordial do Kiai era reconhecida e este cultivado seriamente.
O Kiai fazia parte das artes marciais de que constituia a essência e o aspecto esotérico.
Entretanto, desde tempos imemoriais, milhares de anos antes da nossa era, a existência desta força que recebeu no Japão o nome de Kiai tinha dido reconhecida, isolada e, perfeitamente analisada, primeiro na Índia, depois na China.
Os hindus reconheceram em todos os seres a existência de uma força original a que deram o nome de Prana ou energia vital cósmica.
Demonstraram que o escopo real e final da nutrição e da respiração
é gerar e armazenar essa energia.
E, em seu sistema de ioga, a Hata-Yoga é um processo de fisiologia energética
prática que se apóia sobre esses dados, visando armazenar esta
energia, cuja finalidade é a conquista espiritual.
Mais tarde, indo mais longe, os chineses pensaram que pela cultura da ioga levada ao extremo, poder-se-ia chegar a materializar o excesso de energia assim armazenado e dela formar um ser novo.
Os japoneses, sem se prenderem particularmente às considerações religiosas ou filosóficas, cultivaram o estudo e o desenvolvimento do Kiai como um meio de dominação.
Um estudo aprofundado da questão leva-nos a reconhecer no Kiai a energia primordial inerente a toda vida, o "impulso vital de Bergson".
É necessário um esforço de consciência para liberta-la,
e é no esforço que está o segredo.
Pelo esforço de consciência que deve, antes de tudo, ser um ato
livre, o impulso espontâneo que é mobilidade, liberdade, invenção,
pode botar do fundo do coração de cada um onde ele vive oculto,
mais ou menos dissimulado sob o peso dos pensamentos.
Nasce constantemente no seio das coisas e dos seres, nesse "fundo íntimo de nós mesmos onde perdemos o hábito" de mergulhar.
Entretanto, "essa consciência que é uma exigência de criação, não se manifesta a si mesma senão aí onde a criação é possível.
Ela adormece quando a vida está condenada ao automatismo; acorda logo que renasce a possibilidade de escolha" (Bergson).
Assim, o treinamento maquinal não tem verdadeiro valor; somente a pesquisa inteligente, feita de atenção e de esforço é geratriz de progresso em todos os planos.
A recompensa será a posse consciente, logo a possibilidade de utilização desta força, o Kiai; mas isto não é possível senão na pura consciência, na união dos espíritos, condições de sua libertação e de sua intensidade de ação.